Dois pesadelos: candidatos que poderão presidir País nos próximos 4 anos exibem completo despreparo
Por Rogério Werneck
É deprimente que o Brasil se veja obrigado a escolher entre dois candidatos a presidente tão despreparados para conduzir o País na sua difícil travessia dos próximos quatro anos.
Não se trata de apreensão que possa comover as dezenas de milhões de eleitores-raiz do lulismo ou do bolsonarismo. Quem sabe poderá atrair a atenção da pequena parcela do eleitorado que, às vésperas do segundo turno, ainda não conseguiu se conformar com uma escolha tão deplorável.
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O caso de Flávio Bolsonaro parece mais óbvio. Falta completa de experiência executiva prévia. Carreira política medíocre e eivada por fatos desabonadores. Ligações com gente da pior espécie. Histórico de autoritarismo e descompromisso com valores básicos da democracia. Amplo entorno de familiares e aliados aloprados, aferrados a propostas assustadoramente despropositadas. E apego, a cada dia mais claro, a um discurso econômico vazio, desestruturado, escorregadio e populista. É fácil entender que não falte quem tema que seu governo poderá ser um pesadelo.
O que não é tão bem percebido é que sobram razões para temer que, a seu modo, um quarto governo de Lula também poderá ser um pesadelo. Desde que decidiu alçar Dilma Rousseff à Presidência da República – pondo em marcha um surto de voluntarismo, inconsequência e corrupção que redundou no colossal descarrilamento econômico e político do qual o Brasil ainda não se recuperou –, Lula abandonou de vez qualquer compromisso com a gestão responsável da política econômica.
Foi o que ficou mais do que claro no seu terceiro mandato. Mas, agora, tendo em conta a despudorada escalada de concessão de benesses eleitoreiras que se permitiu promover, Lula descredenciou-se em definitivo como alguém que possa liderar a urgente agenda fiscal do País. Não há mais como levá-lo a sério. Nem com uma overdose de autoengano seria possível relevar a forma debochada com que ostentou seu completo descaso por tal agenda, em sua entrevista a Renata Lo Prete, e sua conclamação a “parar com essa babaquice de fazer superávit, (…) de ter controle fiscal”. Alguém acredita mesmo que, reeleito com mais de 80 anos, com tamanha falta de convicção e às voltas com alarmante e insanável minoria no Congresso, Lula estará apto a viabilizar os ajustes requeridos para desentravar a economia? Não é um democrata o governante que, agarrado ao populismo, insiste em manter a democracia estressada e esgarçada pelos fracassos recorrentes de políticas econômicas irresponsáveis e insustentáveis. Do Dilma 1 ao Lula 3.
Fonte: Estadão
