O Brasil do próximo governo: os desafios apontados pelos economistas

Seja qual for o resultado da eleição deste ano, o próximo presidente não terá vida fácil na economia. O principal entrave será lidar com a necessidade de avançar com um duro ajuste fiscal num País que deve sair das urnas polarizado e envolto numa crise institucional.

O cenário preocupante foi traçado pelos participantes dos quatro debates promovidos pelo Estadão para tratar dos desafios econômicos do próximo governo. Em todos os episódios, os participantes reforçaram a necessidade de o Brasil corrigir a rota do seu endividamento elevado, para evitar uma piora do cenário da economia brasileira.

No primeiro programa da série, Alexandre Schwartsman, consultor da Pinnotti & Schwartsman Associados e ex-diretor do Banco Central, e Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro, disseram que a economia brasileira vai entrar num cenário de deterioração crescente se não resolver a situação das contas públicas no próximo mandato. A leitura deles é a de que, se o Brasil quiser virar a página do dilema das contas públicas, terá de encarar o ajuste pelo lado da despesa e adotar um amplo cardápio de medidas. No segundo debate, Marcos Lisboa, sócio-diretor da Gibraltar Consulting, e Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, também se mostraram pessimistas com a economia brasileira em 2027. Eles afirmaram que o Brasil tem uma desaceleração da atividade econômica contratada para o próximo ano. O tamanho da crise vai depender das ações adotadas pelo futuro governo, sobretudo na área fiscal, e de como o cenário externo vai se comportar. O terceiro episódio da série de debate reuniu Eduardo Giannetti, economista e filósofo, e Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre e do BTG Pactual. Eles disseram que o Brasil precisa reequilibrar a relação entre os Três Poderes. Para Giannetti e Pessôa, o próximo presidente terá de aproveitar a força política dos primeiros meses de mandato para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas, reconstruir a interlocução com o Congresso e aprimorar os critérios para a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Por fim, no último programa, Elena Landau, advogada e economista, e José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica e sócio-fundador da MB Associados, foram críticos ao comportamento de ministros do STF. Eles defenderam uma discussão mais ampla sobre o processo de eventual impeachment de seus integrantes. Seguindo os outros participantes, os dois também desenharam um cenário mais pessimista para a economia e destacaram que o próximo governo terá de avançar com uma agenda fiscal.


Fonte: Estadão

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