Lula fala que resultado inesperado é lição e ataca Flávio Bolsonaro por Master e ‘ligações tenebrosas’

Caio Spechoto Catia Seabra Ana Gabriela Oliveira Lima

São Paulo

O presidente Lula (PT) disse neste domingo, após terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que houve uma lição da democracia no primeiro turno da eleição.

“O resultado muitas vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que queria. Eu confesso para vocês que estava convencido que ia ganhar a eleição no primeiro turno. Mas eu também já pensei isso outras vezes”, declarou o petista.

O presidente afirmou que no segundo turno começa uma nova campanha, só entre os dois. “Apenas entre dois candidatos a gente vai poder mostrar a diferença das propostas que a gente tem para o Brasil”, afirmou.

Lula disse, sem citar o nome de Flávio, que o adversário tem “uma biografia tenebrosa, com ligações tenebrosas, com suspeitas gravíssimas com relação com os milicianos, com relação com o crime organizado, com relação com os assassinatos no Rio de Janeiro”.

O petista afirmou que ficará clara na campanha “a participação [do grupo político adversário] na criação do Banco Master, que resultou não apenas na maior corrupção desse país, mas também na maior orgia envolvendo políticos e autoridades”.

O presidente deu as declarações no hotel na região central de São Paulo onde acompanhou a apuração dos votos com aliados. A sala estava repleta de apoiadores, que gritavam o nome do petista e o aplaudiam.

Estavam ao lado de Lula a primeira-dama, Janja, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Também diversos outros aliados, como os ministros Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Guilherme Boulos (Secretaria Geral).

Os principais candidatos aliados de Lula em São Paulo também estavam no palco. Derrotados, o candidato a governador, Fernando Haddad (PT), e as candidatas ao Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) foram homenageados pelo presidente.

“Ele [Haddad] não pode simplesmente perder uma eleição sem que a gente diga para o Haddad: não foi você que perdeu a eleição. Quem perdeu foi o povo de São Paulo”, declarou o presidente da República.

O discurso de Lula teve diversos trechos destinados a animar seus apoiadores a reforçar a campanha para o segundo turno. “O povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou muito bom em mata-mata, no tete a tete. E aí nós vamos ver quais são os projetos que o país tem”, afirmou.

“Segunda-feira você [Alckmin] vai ter um dia de folga para conversar com a dona Lu. Eu vou ter um dia de folga para conversar com a dona Janja. E na terça-feira, os bolsonaristas se preparem, porque nós vamos derrotá-los”, disse Lula.

O presidente da República indicou um esforço para convencer eleitores que não compareceram às urnas neste domingo a votar no segundo turno.

“Tivemos mais de 20 milhões de pessoas que não compareceram para votar, e nós vamos fazer um apelo”, declarou o petista.

O nível de abstenção na eleição deste ano foi recorde. Aproximadamente 33 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21% do eleitorado.

O candidato à reeleição também defendeu sua gestão fiscal, alvo de críticas do mercado financeiro e de outros setores liberais na economia. O petista afirmou ser responsável, mas sua gestão econômica não incluirá um arrocho sobre a população mais pobre.

“É importante lembrar da seriedade que a gente trata a economia brasileira sabendo que a gente não pode gastar aquilo que não tem e sabendo que a gente não pode fazer dívida que não pode pagar. Mas uma coisa todo mundo tem que saber: não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país”, declarou o petista.

Presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva disse que a ideia agora é comparar os planos de Lula e de Flávio perante a população.

“É debater, confrontar projeto. Não tem magia. Não tem magia. É confrontar projeto, chamar o povo brasileiro à reflexão. E conversar com a sociedade brasileira como um todo.” Edinho também disse que haverá conversas por apoio com diversos grupos políticos. E que os próximos passos serão discutidos com Lula em reunião na tarde de segunda-feira (5), em Brasília.


Fonte: Folha de São Paulo

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