IA puxa fusões e aquisições e leva captações a recorde até setembro
A necessidade estratégica de investir em Inteligência Artificial (IA) está levando a números recordes em transações globais de fusões e aquisições (M&A) e captações no mercado de dívida norte-americano. São operações que superam US$ 10 bilhões e ocorrem para investimentos em empresas que desenvolvem IA e no seu entorno.
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Na quinta-feira, 24, por exemplo, o gigante japonês de tecnologia e investimentos em empresas Softbank deve lançar uma operação no mercado de dívida de US$ 11 bilhões em dólar e euros para investir na OpenAI, operadora do ChatGPT. O grupo é um dos maiores apoiadores da OpenAI, com investimentos e compromissos financeiros que superam US$ 60 bilhões.
O caso da OpenAI ajuda a ilustrar a escala de recursos necessária para sustentar a expansão da IA. A empresa projeta forte consumo de caixa nos próximos anos, principalmente com gastos em capacidade computacional e infraestrutura. A expectativa é que a receita também avance rapidamente – mas ainda assim a previsão é de fluxo de caixa livre negativo entre 2026 e 2030, o que aumenta a necessidade de novas captações para financiar a expansão.
Valores levantados nos EUA somam US$ 1,7 tri
O Bank of America (Bofa) chama atenção aos valores levantados no mercado de dívida norte-americano por empresas classificadas como grau de investimento, que já é recorde e soma US$ 1,7 trilhão até meados de setembro. Segundo o corresponsável pela área de banco do investimento do Bofa no Brasil, Hans Lin, grande parte desse volume vem de captações feitas pela indústria de IA. Ele diz que, entre 2021 e 2025, as operações de captação no mercado de dívida no universo grau de investimento oscilaram entre US$ 1,2 trilhão e US$ 1,7 trilhão.
Megaoperações envolvendo IA ajudaram a puxar o valor das transações globais com M&A para a casa de US$ 1,6 trilhão no primeiro semestre, uma alta de 28% frente ao mesmo período do ano passado, segundo um estudo do Boston Consulting Group (BCG). O número já se aproxima dos US$ 1,864 bilhão negociados em transações de M&A em todo o ano passado, mas ainda é inferior ao recorde de mais de US$ 2 bilhões de 2021, no contexto da pandemia. Em seis meses foram 31 ‘megadeals’, contra 17 no primeiro semestre de 2025. “A recuperação do M&A está concentrada onde a necessidade estratégica é maior”, diz o diretor executivo e sócio do BCG, Bruno Vasconcellos.
Fonte: Estadão
