Antes da IA, o RH precisa colocar a casa em ordem
O recrutamento é um dos exemplos de como a inteligência artificial começa a mudar rotinas do setor de Recursos Humanos. Na MRS Logística, a adoção de ferramentas de IA ajudou a reduzir de 102 para 45 dias o tempo médio entre a abertura de uma vaga e a aprovação do candidato para a admissão, segundo dados apresentados pela empresa no SAP Now 2026. A tecnologia passou a ser usada em tarefas como leitura de currículos, ranqueamento por competências e elaboração de descrições de vagas.
O resultado, porém, não veio apenas da adoção da inteligência artificial. Antes de automatizar etapas do recrutamento, a empresa revisou os próprios processos, com mudanças em governança, rastreabilidade e organização dos dados. Entre 2022 e 2024, esse trabalho já havia reduzido o prazo médio de contratação de 102 para 80 dias.
“A IA acelerou nossos resultados, mas isso só foi possível porque tínhamos trabalhado na base anteriormente”, diz Simone Souza, gerente-geral de Desenvolvimento de RH da MRS. “Sem trabalhar a base, a IA pode até entregar resultados rápidos, mas eles têm grande chance de ser caóticos.”
Autonomia e conexão
O caso apresentado no evento de tecnologia em São Paulo ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla pela qual passa o RH. Processos tradicionalmente associados a tarefas administrativas, como folha de pagamento, solicitações de férias e recrutamento, começam a incorporar sistemas capazes não apenas de responder a consultas, mas de executar etapas inteiras de um fluxo de trabalho.
“Queremos gerar autonomia no processo e na operação”, afirma Márcio Capellari, especialista em soluções de Recursos Humanos da SAP. Segundo ele, a ideia é que sistemas de IA possam assumir diferentes etapas de uma atividade e, ao mesmo tempo, trocar informações entre si. Isso permite conectar o RH a áreas como financeiro e jurídico, por exemplo.
A SAP afirma ter atualmente mais de 60 rotinas voltadas à automação de atividades de RH e 15 assistentes, capazes de interagir por meio de chats, apresentar indicadores e apoiar profissionais em diferentes etapas da operação. A empresa também oferece o Joule Studio, ferramenta que permite às equipes desenvolver fluxos próprios.
No recrutamento, esse tipo de tecnologia pode ser usado para criar descrições de vagas, fazer uma primeira análise de currículos, ranquear candidatos por competências e até auxiliar no agendamento de entrevistas. Segundo estimativas da SAP, a triagem manual de currículos pode consumir até 23% do tempo de um recrutador.
A lógica, no entanto, não é necessariamente retirar o profissional do processo. A automação tende a deslocar parte do trabalho operacional para sistemas de IA, enquanto o recrutador pode dedicar mais tempo a atividades que dependem de julgamento, interação com candidatos e tomada de decisão.
rente-geral de Desenvolvimento de RH da MRS Foto: Marco Ankosqui/Estadão Blue Studio
A SAP afirma ter atualmente mais de 60 rotinas voltadas à automação de atividades de RH e 15 assistentes, capazes de interagir por meio de chats, apresentar indicadores e apoiar profissionais em diferentes etapas da operação. A empresa também oferece o Joule Studio, ferramenta que permite às equipes desenvolver fluxos próprios.
No recrutamento, esse tipo de tecnologia pode ser usado para criar descrições de vagas, fazer uma primeira análise de currículos, ranquear candidatos por competências e até auxiliar no agendamento de entrevistas. Segundo estimativas da SAP, a triagem manual de currículos pode consumir até 23% do tempo de um recrutador.
A lógica, no entanto, não é necessariamente retirar o profissional do processo. A automação tende a deslocar parte do trabalho operacional para sistemas de IA, enquanto o recrutador pode dedicar mais tempo a atividades que dependem de julgamento, interação com candidatos e tomada de decisão.
Feedback positivo
Na MRS, segundo Simone, esse foi um dos efeitos percebidos depois da implantação das ferramentas. Com menos tempo dedicado à análise operacional, os recrutadores puderam concentrar esforços nas conversas com candidatos e na avaliação de aderência às vagas. A empresa também registrou melhora no retorno dado aos participantes dos processos seletivos, com uma taxa de feedback positivo que, segundo a executiva, chegou a 100%.
A empresa ainda pretende ampliar o uso da tecnologia. Entre os próximos passos, estão aplicações em outras etapas do recrutamento, como as entrevistas iniciais. “Estamos sempre num processo de construção da jornada”, afirmou Simone. O exemplo da MRS também mostra um dos limites da automação. A qualidade do resultado depende, em boa medida, da organização dos processos e dos dados que vêm antes da IA. No caso da empresa, a redução de tempo no recrutamento foi resultado de uma sequência de mudanças, e não apenas da introdução de uma nova ferramenta.
Fonte: Estadão
