Ações de bancos e varejistas fecham em disparada após Flávio Bolsonaro abrir vantagem sobre Lula no 1º turno

Júlia Galvão

São Paulo

A Bolsa registrou forte alta nesta segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições colocar o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e gerou uma alta de grande parte dos setores do mercado acionário brasileiro.

Entre as ações que puxaram a forte alta do índice estão bancos e varejistas, que tendem a se beneficiar da queda de juros.

O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, um novo recorde. Já o dólar recuou 4,11%, a R$ 5,001.

Investidores veem maiores chances de um ajuste fiscal com Flávio do que com Lula e um cenário de maior controle das contas públicas poderia contribuir para uma queda mais rápida dos juros e favorecer ativos de renda variável. A composição do Congresso, com maior presença de parlamentares de direita e centro-direita, também é apontada por analistas como um fator favorável à agenda econômica.

O contrato futuro de juros com vencimento em seis meses foi de 13,5% na sexta (2) para 13% nesta segunda. O de dois anos foi de 14% para 12,5%.

Juros menores tendem a beneficiar todos os setores, pois reduzem o custo da dívida das empresas e estimulam o consumo. Com juros menores, bancos podem emprestar mais, já que reduzem o risco de inadimplência e, consequentemente, o custo do crédito. Além disso, a retomada do mercado de capitais também tende a impulsionar o lucro das instituições.

O Itaú Unibanco subiu 9,97%, a R$ 49,30. Banco do Brasil subiu 13,19%; e Bradesco avançou 12,32%. Já o Santander Brasil subiu 2,63% a R$ 28,83.

Mais ligado ao mercado de capitais e menos à concessão de crédito, o BTG Pactual saltou 22,5%, a R$ 80,89. Na mesma toada, as ações da B3, que opera a Bolsa, dispararam 22,6%, a R$ 23,30.

As varejistas são ainda mais sensíveis aos juros. Como é um negócio de margem estreita, o volume de vendas e o custo de financiamento são fundamentais.

Magazine Luiza subiu 24,83%; C&A avançou 19,70%; Azzas ganhou 12,64%; Grupo SBF (Centauro) ganhou 22,9%, a R$ 10,10; e Lojas Renner teve alta de 15,39%.

Os supermercados também se valorizaram. Assaí teve alta de 16,4%, a R$ 12,98; Grupo São Matheus subiu 7%, a R$ 5,29; e Pão de Açúcar, em recuperação extrajudicial, subiu 5,8%, a R$ 3,28.

Entre as principais ações do Ibovespa, Petrobras (PETR4) avançou 8,09%, a R$ 55,31.

No terreno negativo, ficaram Vale (- 0,90%), Embraer (-3,33%) e WEG (-0,42%). Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o desempenho negativo do trio, na contramão de outras empresas, pode ser explicado pelo fortalecimento do real, que reduz o valor, em reais, das receitas obtidas no exterior.

“Como a Vale é exportadora e quase toda a receita dela é em moeda estrangeira, a pressão cambial acaba atrapalhando um pouco”, afirma.

O MSCI Brazil EWZ, ETF (fundo de índice) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, subiu 12,54% em Nova York. Entre as empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, o Nubank avançou 13,03%, a XP subiu 30,93% e a JBS teve alta de 1,89%, após avançar 7,46% na véspera.

Segundo analistas, daqui em diante, o mercado deve acompanhar as alianças para o segundo turno, os nomes que podem compor uma eventual equipe econômica e as propostas dos candidatos para o controle da dívida pública e o equilíbrio fiscal. O segundo turno será realizado em 25 de outubro. O BTG Pactual projeta que, se Flávio Bolsonaro vencer, as ações brasileiras poderiam voltar rapidamente à sua média histórica de dez anos, o que implicaria um potencial de ganho entre 11% e 20%.


Fonte: Folha de São Paulo

Traduzir »