Brasil tem US$ 50 bi em negociação para data centers, diz BNP Paribas
A demanda por data centers no Brasil entrou em uma nova fase nos últimos 30 dias, com uma explosão no volume de projetos em negociação, segundo o líder do BNP Paribas para a área de tecnologia, mídia e telecomunicações na América Latina, Thomaz Dreifuss. O executivo afirma ter mapeado entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em projetos de data centers. Os valores se referem apenas à infraestrutura física dos centros de dados, sem o investimento em chips e processadores que “recheiam” os prédios.
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Dreifuss afirma que os projetos em negociação têm uma escala inédita no País. Segundo ele, os menores data centers dessa nova onda terão capacidade entre 100 e 150 megawatts (MW) – o que já se equipara às maiores regiões de dados brasileiras atualmente instaladas. “Não são projetos especulativos, já tem ‘nome e sobrenome’. Com empresas, terreno e custos identificados”, disse à Coluna. Ele informa ainda que o maior dos empreendimentos pode chegar a 800 MW, que é o equivalente ao consumo de uma cidade como Fortaleza, com um milhão de habitantes.
A expectativa do executivo é que boa parte desses projetos deixe de ser negociada nos bastidores e seja anunciada ao mercado entre agora e o início de 2027. Segundo Dreifuss, alguns contratos podem ser fechados nos próximos 30 a 60 dias, enquanto outros devem avançar nos meses seguintes.
Geopolítica influenciou
Para Dreifuss, a aceleração não pode ser atribuída exclusivamente ao ReData, programa de incentivos tributários para data centers, no fim de agosto. Antes disso, um dos fatores que influenciou o cenário foi a guerra no Irã e os ataques ocorridos na região. O conflito teria reforçado a percepção de que algumas regiões consideradas estratégicas para a instalação de data centers de empresas americanas são menos estáveis do que se imaginava. Com menos alternativas geográficas disponíveis, a América Latina passou a ganhar importância como uma região politicamente e militarmente mais estável para esses investimentos.
a sequência, as moratórias impostas ou discutidas em Estados americanos também contribuíram para aumentar a pressão sobre a expansão da infraestrutura. Dreifuss afirma que reclamações de eleitores sobre o impacto dos data centers nos preços de energia ajudaram a produzir uma reação política nos Estados Unidos, com Estados como Nova York e Virgínia adotando restrições a novos empreendimentos.
É nesse contexto que o Brasil ganha espaço, afirma Dreifuss. “O Brasil tem potencial de ser um celeiro de data centers. Ele tem energia competitiva, conexão necessária de fibra, cabos submarinos e transmissão, além de energia verde, que importa para as empresas”, diz. Sem ‘universidade de robôs’
Há uma distinção importante, porém. Segundo ele, a América Latina já pode receber data centers voltados à nuvem e à inferência de inteligência artificial, mas ainda não há na região estruturas dedicadas ao treinamento de modelos de IA, o chamado machine learning. Esses data centers funcionam, nas palavras do executivo, como “a universidade do robô” e representam o centro de pesquisa e desenvolvimento das grandes empresas de tecnologia. Por isso, têm uma dimensão estratégica e geopolítica maior e, na avaliação dele, é mais difícil prever sua instalação fora dos Estados Unidos. O avanço do ReData também deve abrir uma nova frente de discussão regulatória no Brasil, segundo Dreifuss. Depois da questão tributária, o executivo espera que ganhem força os debates sobre a legislação de inteligência artificial e sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Fonte: Estadão
