Lula é risco econômico, Flávio Bolsonaro é risco maior

Presidente não entendeu a importância do ajuste fiscal; senador não tem apreço por valores que somados são muito mais elevados

Por Alvaro Gribel

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um risco econômico, o senador Flávio Bolsonaro é a personificação de um risco maior. Lula ainda não entendeu a importância do ajuste fiscal e do reequilíbrio das contas públicas, mas Flávio e sua família não têm apreço por valores que somados são mais elevados, como a democracia, a cultura, o meio ambiente, as relações internacionais e as liberdades religiosas.

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Um governo Lula 4 tende a ser ruim no campo econômico, mas será previsível. Um governo Flávio tende a ser catastrófico em várias áreas e com desdobramentos incalculáveis. Até na economia, há mais dúvidas do que certezas sobre como seria uma gestão Bolsonaro 2.0.

Parte do mercado financeiro tende a ver a agenda econômica como algo descolado de outras áreas e que se restringe às telas com as cotações da Bolsa de Valores.

A realidade é que essas barreiras nunca existiram, e a economia está cada vez mais exposta a outras agendas, para as quais a família Bolsonaro não tem propostas. No campo internacional, só se sabe que haverá uma subordinação completa do Brasil ao governo americano de Donald Trump. No meio ambiente, a briga com ambientalistas, o negacionismo com as mudanças climáticas e aumento do desmatamento.

O risco institucional é outra certeza, com a intensificação da briga com o Supremo Tribunal Federal (STF) e a tentativa de livrar o seu pai da prisão, pelo crime de tentativa de golpe de Estado. Na saúde, quem não perdeu a memória se lembra do que foi a gestão de Bolsonaro pai na pandemia, que desprezou vacinas, zombou dos milhares de mortos e defendeu medicamentos ineficazes, como a cloroquina.

Na educação, a obsessão por escolas militares, a perseguição a professores e universidades públicas. Na segurança, a liberação do porte de armas e, na cultura, o entendimento de que os artistas são uma subclasse social que não gosta de trabalhar. A fake news sobre a Nossa Senhora de Aparecida, por sua vez, só ganhou a dimensão que ganhou porque há pastores no seu entorno com visão de intolerância religiosa. Lula voltou ao poder com pensamento econômico retrógrado. Todos os bons indicadores econômicos atuais estão pendurados na alta do endividamento e, por isso, não são sustentáveis. Ele será forçado a fazer o ajuste, por vontade própria ou para evitar uma crise. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não será forçado a nada. Com apoio de Trump, controle do Congresso e indicações para ter maioria do STF, poderá seguir com sua agenda extremista da forma que quiser.


Fonte: Estadão

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