Três Poderes em campanha: vale-tudo tenta resguardar Supremo contra um Senado mais à direita em 2027

Um livro oportuno que, lido numa tarde, ajudará o leitor a entender com mais clareza as articulações de última hora que poderão selar o desfecho da eleição presidencial: A oligarquia dos Poderes e a crise da democracia, de Joaquim Falcão.

Tendo o livro já sido amplamente resenhado, atenho-me aqui a ressaltar quão útil pode ser sua leitura para o entendimento da mobilização da cúpula dos Três Poderes com a disputa presidencial, à luz do complexo jogo predatório que há muito vem sendo travado entre o Supremo, o Congresso e o Planalto, dentro de um pacto de grande complacência com suas vulnerabilidades mútuas, como bem dissecado por Joaquim Falcão.

A mídia tem dado destaque ao empenho com que ministros do Supremo vêm dando apoio ao projeto da reeleição. Basta ter em conta o que vem sendo feito a céu aberto. A semanas do primeiro turno, o ministro Alexandre de Moraes achou razoável sair do seu caminho para se permitir promover um jantar de reconciliação do presidente da República com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar a pauta de interesse do governo no Congresso.

Coroada de êxito, a iniciativa logo deu lugar à foto icônica de Lula da Silva radiante, de vermelho e chapéu, abraçado a Alcolumbre e a Hugo Motta, em comemoração antecipada do avanço da pauta eleitoreira do Planalto no Congresso: da MP das blusinhas à PEC do fim da escala 6×1.

O Supremo, às voltas com esqueletos do caso Vorcaro, não vê com bons olhos a possibilidade de que a presidência do Senado, em fevereiro, venha a cair nas mãos de alguém como a senadora Tereza Cristina. Não esconde sua torcida para que Davi Alcolumbre possa ser reconduzido ao cargo, o que só terá alguma chance de ser viável se Lula da Silva for reeleito. Já Alcolumbre, constrangido, entre outras razões, pelas investigações sobre o desaparecimento no ralo do Banco Master de R$ 400 milhões do fundo de previdência dos funcionários públicos do Amapá, parece encantado com a perspectiva de vir a ser o candidato preferido de ministros do Supremo para a presidência do Senado. Salta aos olhos que, vigiado por uma sociedade civil a cada dia mais atenta, esse vale-tudo a que agora se permitem ministros do Supremo, para se resguardar a qualquer custo de um novo Senado bem mais à direita do atual, vem-se tornando excessivamente oneroso. Para não dizer escandaloso. E a verdade é que, mesmo que Lula seja reeleito, o mais provável é que o atual jogo de forças no Supremo Tribunal Federal (STF) seja profundamente alterado pelo Senado nos próximos anos.


Fonte: Estadão

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