Nem tudo são flores nessa vertiginosa massificação da IA; há riscos e questões imprevisíveis

O tempo presente será registrado no futuro como aquele de maior salto tecnológico da história humana. A era da inteligência artificial supera tudo o que sabíamos até aqui sobre tecnologia da informação, conexões e modelos digitais de impacto.

É também a prova definitiva da capacidade ilimitada do cérebro humano de se reinventar e inovar por meio da ciência. Todos os segmentos da economia já aplicam soluções e recursos da IA em seu negócio. Este é um caminho sem volta.

As transformações provocadas entram no dia a dia das pessoas, e o primeiro choque é a rapidez com que podemos resolver problemas e ganhar eficiência nas rotinas domésticas, pesquisas científicas, saúde, biotecnologia e hiperpersonalização de mídia, para citar alguns.

Mas nem tudo são flores nessa vertiginosa massificação da IA. Há riscos e questões imprevisíveis que precisam de regulação para criar uma rede de segurança.

A busca de ampliar as fronteiras do desenvolvimento da IA tornou-se uma corrida bilionária por capital de investimentos. A sua velocidade, muitas vezes, se sobrepõe às regras de custo de capital. Alguns analistas falam em aumento dos riscos de uma bolha financeira. Os investimentos em IA estão estimados em US$ 2,5 trilhões em infraestrutura e mais US$ 500 bilhões em software.

No eixo das big techs, a planilha anunciada para os investimentos na construção de data centers assombra. Por ser um hub de geração de energia e passagem de dados, existe uma demanda exigente por energia elétrica e água para resfriamento. E esse é o outro lado da moeda. Nos Estados Unidos, oito Estados já definiram ou estão criando legislações próprias com moratórias de até três anos para o crescimento das plantas industriais de IA.

A aceleração máxima da IA contém ainda riscos inspirados na ficção científica. Criadora do ChatGPT, a Open AI relatou, em julho, que dois de seus modelos escaparam, por vontade autônoma, de um ambiente confinado para invadir outras quatro plataformas. O debate sobre os rumos da IA interessa diretamente ao Brasil, que procura atrair data centers e desenvolvedores para inserir-se na fronteira tecnológica global. As discussões sobre o melhor jeito de entrar nessa corrida, com segurança e racionalidade, são obrigatórias para o Brasil. Sem açodamento, mas sem adiamentos, pois nossa conhecida criatividade deverá ser um fator de atração dos investimentos necessários para sairmos da condição de meros consumidores passivos de algoritmos.


Fonte: Estadão

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