A disparada assustadora do desastre fiscal brasileiro

Um tema deveras importante no noticiário econômico de curto prazo é a escalada da dívida pública brasileira, que acaba de alcançar o seu maior patamar desde 2021: chegou a mais de R$ 10 trilhões em junho, algo ao redor de 82% do Produto Interno Bruto (PIB).

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Diante da saraivada de perguntas sobre o grau de descontrole de uma dívida que atingiu essa dimensão – porque ela decorre de uma disparada das necessidades de financiamento do setor público como um todo –, é preciso que os administradores da área adotem providências capazes de restabelecer o controle da evolução da dívida.

Neste cenário, é preciso que as pessoas tenham em mente que há bem pouco tempo tínhamos um déficit que, medido em reais, mais do que dobrou (num espaço de apenas três anos): era de cerca de R$ 500 bilhões, e agora está passando de R$ 1 trilhão. É insustentável, e o governo precisa adotar providências para reverter esse dificílimo quadro.

O principal responsável pela disparada desse déficit no período em que ocorreu é o desejo do atual governo de ser reeleito? Ou foi alguma conta específica – tipo a conta previdenciária – que simplesmente disparou? Quem é o principal responsável pelo aumento desse déficit?

A conta previdenciária, sem dúvida, é talvez a principal responsável por esse estouro do déficit, mas, falando genericamente, o problema é o excesso de gastos.

O gasto obrigatório, que é o que é determinado tipicamente por restrições legais, simplesmente disparou. Após subir tanto e por ser custoso de controlar, o resultado pouco provavelmente poderia ter sido outro. Temos, então, uma situação crítica para manejar no Brasil.

E acaso tem havido uma discussão aprofundada sobre este tema tanto na campanha de Lula quanto na de seus opositores, como Flávio Bolsonaro? Não, pouquíssimo disso tem sido discutido na atual campanha política no País. Na verdade, poucos se dão conta do que ocorre com clareza. Tudo indica, portanto, que o próximo governo assumirá um problema fiscal enorme.

Quais seriam, então, as primeiras medidas a serem tomadas por esta nova gestão? A mais urgente é a explosão do gasto obrigatório em geral, difícil de evitar. Assim, vamos caminhando para uma situação provavelmente caótica, que pode não explodir rapidamente, mas caminha para explodir.

Como está, acabou por se tornar quase inadministrável. E o pior é que nenhum dos dois principais candidatos à Presidência da República se mostra empenhado em arregaçar as mangas e partir para um programa bastante intenso de ajuste fiscal. Para encerrar, se o governo continuar apenas assistindo à explosão da dívida pública no seu dia a dia, o que ocorrerá a partir daí? Dificilmente escaparemos de uma supercrise macroeconômica, bastando lembrar que só nos últimos três anos aumentamos o gasto anual de R$ 400 bilhões para R$ 1,1 trilhão. É praticamente impossível de conviver com essa situação, a não ser que muita coisa mude.


Fonte: Estadão

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