Gigantes de VR oferecem cashback e benefícios a empresas que não participem de programa do governo
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As empresas veem oportunidade de ampliar as vantagens concedidas para seus funcionários a um custo menor. Para muitas delas, pagar integralmente esses tipos de benefícios, incluindo impostos e encargos trabalhistas, seria mais custoso do que não receber os incentivos fiscais atrelados ao PAT.
O programa do governo oferece ao empregador acesso a incentivos fiscais, como a dedução de até 4% do IRPJ (Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas) para empresas enquadradas no regime de lucro real. Além disso, todas as empresas beneficiárias do PAT são isentas do recolhimento do INSS e FGTS (encargos sociais) sobre o valor do benefício.
As gigantes do setor de tíquete ganham, no entanto, estimulando a saída de empresas do PAT.
Fora do programa governamental, essas emissoras de vales escapam da obrigatoriedade de cobrar no máximo 3,6% de restaurantes e supermercados por transação, o que as deixa livres para aplicar taxas mais altas. Com uma margem de lucro maior, elas podem custear os benefícios oferecidos aos empregadores e, assim, manter a hegemonia do mercado.
O teto foi estabelecido no ano passado pelo governo, que buscava reduzir os preços repassados aos trabalhadores e ampliar a concorrência no setor. O objetivo era reduzir o custo da alimentação para os trabalhadores, após a inflação dos alimentos escalar e corroer a popularidade do presidente Lula no início de 2025.
A atual gestão teme, no entanto, que o movimento de saída das empresas esvazie a política pública, cujo objetivo é assegurar a alimentação dos empregados. Além disso, o plano de baratear os preços dos alimentos fica ameaçado.
A Folha teve acesso, sob condição de sigilo, a cerca de dez propostas feitas a empresas por grandes operadoras de vale-refeição e vale-alimentação, como Pluxee e Alelo, englobando condições mais vantajosas de negociação caso essas companhias não estivessem no PAT. As tratativas envolviam o oferecimento de 3% a 5% de cashback (devolução de um percentual gasto em transações com o cartão do benefício) e do chamado rebate (incentivos oferecidos para atrair clientes). Quatro dessas propostas se direcionavam a empresas de grande porte, com até 2.000 funcionários. Em outras duas, a discussão envolvia a oferta de plano odontológico, com possibilidade de incluir dependentes, e benefício de Natal, com saldo livre.
Fonte: Folha de São Paulo
