Política agressiva de tarifas vai continuar, diz czar do comércio exterior dos EUA

WASHINGTON – O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou ao Congresso americano nesta quarta-feira, 22, que a situação de “emergência nacional” no comércio continua e que o governo Donald Trump mantém a estratégia de usar tarifas para reindustrializar a economia do país.

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Em audiência no Comitê de Finanças do Senado, Greer classificou a política tarifária de Trump como um “sucesso” e disse que pretende usar “todas as ferramentas disponíveis” para dar continuidade à estratégia. O governo se prepara para anunciar uma nova rodada de tarifas globais nesta semana, enquanto busca substituir medidas que foram consideradas ilegais pela Justiça americana em fevereiro.

“Os dispositivos específicos que estão sendo utilizados mudaram, mas a estratégia comercial, não”, disse Greer. “Estamos comprometidos em continuar a usar tarifas e a negociar acordos para impulsionar a reindustrialização da nossa economia, proteger os trabalhadores americanos, aumentar os seus salários e reduzir o nosso déficit comercial.”

Durante a audiência, senadores republicanos destacaram a importância, para seus Estados, de preservar e ampliar as relações comerciais. Democratas, por sua vez, criticaram a política tarifária do governo, especialmente a postura em relação a aliados como o Canadá, que voltou a ser alvo de ameaças de novas tarifas nesta semana.

Os democratas também acusaram as tarifas de elevar os preços de bens de consumo para as famílias americanas, argumento contestado por Greer. “Essas tarifas estão aumentando os custos, e parece que todo mundo sabe disso, exceto o governo Trump”, disse o senador Raphael Warnock, democrata da Geórgia.

A administração Trump tenta reorganizar sua política tarifária depois que a Suprema Corte decidiu, em fevereiro, que o uso de uma declaração de emergência internacional para impor tarifas globais no ano passado era ilegal. A decisão derrubou as tarifas anunciadas por Trump no chamado “Dia da Libertação” e colocou em dúvida acordos comerciais negociados pelo governo com base nessas medidas.

Como solução temporária, Trump recorreu a outro instrumento legal para estabelecer uma tarifa-base de 10% sobre produtos importados de diversos países. A medida expira nesta quinta-feira, 23, mas o governo já trabalha em uma alternativa.

Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de mais de 80 países, com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O argumento é que a falta de medidas desses países para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado teria prejudicado os EUA.

Ainda não está definido quando as novas tarifas entrarão em vigor. Pessoas familiarizadas com os planos, porém, esperam que estejam prontas antes do vencimento da atual tarifa de 10%, nesta quinta-feira. O governo também prepara outra rodada de medidas com base na Seção 301, desta vez relacionada às políticas industriais de outros países, que poderá ser implementada nas próximas semanas ou meses.

A Casa Branca também vem ampliando outras medidas protecionistas. Na segunda-feira, Trump assinou decretos para aplicar uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses, sob a alegação de que o país discriminou empresas americanas em setores estratégicos.

Na terça-feira, o republicano definiu um plano tarifário escalonado para medicamentos genéricos importados. A partir de 1.º de agosto de 2026, eles ficarão isentos de taxas por dois anos. Após esse período, a alíquota subirá para 100% por um ano e, depois, atingirá 200%.

Para o Brasil, começou a vigorar nesta quarta-feira uma taxa de 25% sobre produtos enviados aos EUA.

Analistas avaliam que Trump pode estar usando as tarifas como instrumento de pressão para levar o Canadá à mesa de negociações sobre o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Autoridades americanas e mexicanas discutem o acordo nesta semana, na Cidade do México, enquanto as negociações formais entre Estados Unidos e Canadá ainda não começaram.

Canadá e México são os principais mercados de exportação dos Estados Unidos e têm importância especial para a agricultura americana. Na audiência, republicanos e democratas ressaltaram a relevância do USMCA para seus Estados.

O senador Ron Wyden, principal democrata no Comitê de Finanças, criticou a decisão de aplicar tarifas de 50% sobre produtos canadenses enquanto, segundo ele, o governo adotava uma postura mais favorável em relação à China, “um dos maiores trapaceiros do comércio que existem”. “Parece-me que, em matéria de tarifas, o governo perdeu completamente o rumo”, disse. O senador Peter Welch, democrata de Vermont, afirmou que as tarifas, independentemente de seus objetivos, “estão causando muitos prejuízos a Vermont até o momento, tanto pelas tarifas em si quanto pela forma como são variáveis e mudam com frequência”. O Canadá é o principal parceiro comercial do Estado, acrescentou.

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Greer respondeu que o Canadá havia recebido tratamento comercial favorável, mesmo sob a política adotada por Trump desde abril do ano passado. “Estamos tentando equilibrar essa relação”, disse. “Isso não vai acontecer da noite para o dia”, acrescentou. Greer afirmou que o USMCA precisa de ajustes, entre eles regras que ampliem a produção de automóveis nos Estados Unidos. Segundo ele, porém, o acordo preserva “pilares fundamentais”, como o acesso ao mercado agrícola e outras áreas nas quais os americanos não enfrentaram problemas. “Mas, onde identificamos problemas, já estamos em processo de resolvê-los para garantir que possamos aumentar a produção aqui nos EUA”, disse.


Fonte: Estadão

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