A IA é um risco potencial que pode abalar as regras atuais para contratação de seguros?

A inteligência artificial (IA) é a bola da vez. Tem palpite para todo lado e sobre tudo, desde a felicidade geral da humanidade até a tomada do poder pelas máquinas.

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Estamos no começo de uma nova era. A IA pode ser considerada a grande revolução do século 21. Com ela, o cenário à frente é o desconhecido. Se até aqui vínhamos caminhando numa estrada mais ou menos previsível, com a IA o caminho terá que ser aberto, não partindo do zero, mas sem a menor indicação de como será a chegada.

Futurologia é assunto para cartomantes, leitores de tarô e bruxas que trazem a felicidade mediante módico pagamento. Os grandes autores de ficção científica desenharam os cenários mais variados, usando as máquinas a favor e contra a humanidade. São histórias fantásticas que mostram que o que está acontecendo já era pensado 70 anos atrás. E os resultados variavam bastante, indo da dominação do mundo pelas máquinas à vitória dos humanos no último minuto da prorrogação.

Como estamos no começo de uma mudança profunda, que vai mexer com a vida das pessoas, para o bem e para o mal, vamos ficar no conhecido e analisar um pouco o que temos pela frente. A IA é um risco potencial que pode abalar as regras atuais para contratação de seguros? Com certeza. E sob vários aspectos.

O primeiro é a possibilidade do uso da inteligência artificial na análise dos riscos.

Graças à sua velocidade e capacidade de rastrear informações, a precisão dos cálculos atuariais para os riscos a serem segurados será muito maior. Em segundo lugar, a redação das apólices será mais exata. Em terceiro, os controles e a comunicação entre as partes serão otimizados. Em quarto, a regulação dos sinistros será mais exata e mais rápida. E por aí vamos, no campo administrativo e operacional.

Mas a IA tem outro aspecto que precisa ser avaliado com enorme cautela. Ela representa não um, mas milhares de riscos para a humanidade. Tomando o exemplo extremo, supondo que a inteligência artificial assuma o controle do botão de um arsenal nuclear, ela pode desencadear uma guerra atômica, capaz de exterminar a raça humana.

É uma hipótese improvável, pelo menos por agora, mas existem outros riscos a que já estamos sujeitos em função do uso crescente da inteligência artificial.

A inteligência artificial é programada por humanos, e nós somos imperfeitos, quer dizer, estamos sujeitos a erros. E estamos sujeitos a ações deliberadas para causar danos. Nos dois casos, a falha ou o mau uso da inteligência artificial podem gerar prejuízos imensos, nas mais diversas áreas.

Ficando em algo razoavelmente possível, uma informação errada no pregão de uma bolsa de valores pode levar ao caos financeiro. Ou, no campo da gestão, uma falha num pequeno prestador de serviços pode impactar a rede de comunicações internacional, afetando o funcionamento de serviços essenciais, como informação e transferência de dados.

O mercado de seguros está atento a essas possibilidades e com certeza está tomando as providências necessárias para desenvolver seguros para os novos riscos. O problema é que eles podem adquirir dimensões além da capacidade do mercado.


Fonte: Estadão

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