Alvo de sanção do governo americano é investigado em inquérito sobre crimes cometidos no Corinthians

Um dos indivíduos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 1º, por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Victor Henrique de Oliveira Shimada também foi alvo de inquérito do Ministério Público do Estado de São Paulo, com apoio do Grupo Especial de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investigou crimes cometidos na gestão do Sport Club Corinthians Paulista.

Ele é apontado no inquérito, de 10 de julho de 2025, “na qualidade de operador financeiro de empresa que se destina, ainda que parcialmente, ao branqueamento de valores de origem ilícita”. Ele teria sido responsável por operar a lavagem de dinheiro, comandando empresas de fachada, chamadas Victory e Wave, que serviriam de ponte para ocultar e movimentar o dinheiro desviado do clube. No dia 22 de julho, eles se tornaram réus pela Justiça.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou ainda em sua decisão que, em janeiro de 2025, Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil porque a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.

A empresa de Shimada aparece nas investigações do caso VaideBet, que apura um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio do clube.

Segundo denúncia do Ministério Público paulista, a Victory Trading foi a última empresa pela qual passaram recursos antes do repasse à UJ Football, também investigada no caso.

Shimada faz parte do núcleo de investigados no caso do Corinthians, que envolveu ainda cinco outros diretores da agremiação.

O inquérito afirma que, a partir de 2023 até meados de maio de 2024, quatro membros da diretoria “se associaram para o fim específico de cometer crimes de furto qualificado e lavagem de capitais”. E que, entre os dias 18 e 21 de março de 2024, “subtraíram, para si e para outrem, mediante fraude e com abuso de confiança”, a quantia de R$ 1,4 milhão do clube.

Shimada, então, teria ajudado a dissimular, “reiteradamente e mediante sucessivas transferências financeiras entre empresas de fachada, a origem e a propriedade de valores provenientes dos crimes de associação criminosa e furto qualificado”.

A fraude envolveu o uso de uma empresa intermediária para recebimento de dinheiro da VaideBet, dona de site de apostas com sede em Curaçau, anunciada, em 4 de janeiro de 2024, dias após a diretoria assumir o clube, como a nova patrocinadora principal da agremiação. Isso foi anunciado como o maior acordo de patrocínio da história do futebol brasileiro, no valor de R$ 360 milhões, por três anos, equivalendo a R$ 10 milhões mensais.

Segundo a investigação, o dinheiro percorreu o seguinte caminho entre o Corinthians e empresas: para Rede Social Media Design, para Neoway, para Wave, até a UJ Football Talent.

Essa UJ foi citada no acordo de colaboração premiada com delação de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele afirmou que a empresa estaria relacionada a Danilo Lima de Oliveira, o “Tripa”, o qual, segundo o delator, seria integrante do PCC.

Sanção do governo americano

Já na decisão do Tesouro americano, desta quarta-feira, Shimada é apontado como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. De acordo com o comunicado, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores ao Brasil.

Com a decisão, todos os bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de realizar transações com eles. A reportagem tenta contato com a defesa das empresas.

Além dos indivíduos que tiveram bens bloqueados, também foram sancionadas as empresas brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda., que seriam ligadas a Shimada. Procuradas, elas não responderam à reportagem. As sanções foram aplicadas com base na legislação americana de combate ao crime organizado transnacional. Na prática, todos os bens e interesses das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam imediatamente bloqueados. Além disso, cidadãos, empresas e instituições financeiras dos EUA estão proibidos de realizar qualquer tipo de transação com os alvos das medidas.


Fonte: Estadão

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