De Ambipar ao Digimais, ‘Nova Reag’ gere fundos suspeitos de fraudes

Grupo que levou fatia da Reag abriga fundos acusados de fraude em processos judiciais, em semelhança ao que ocorria com gestora liquidada; procurados, empresários defenderam legalidade do negócio

O grupo de empresas que montou uma espécie de nova versão da Reag na Faria Lima também faz a gestão, à semelhança da gestora liquidada pelo Banco Central (BC), fundos controversos citados em suspeitas de fraudes em processos judiciais. Entre os fundos listados pela reportagem, estão desde aqueles investigados pela Polícia Federal por fraudes no banco Digimais, do bispo Edir Macedo, até um fundo da empresa de investimentos em sustentabilidade Ambipar, que está em recuperação judicial.

Como mostrou o Estadão, um grupo de ex-executivos da Reag se uniu a outro, de ex-agentes da corretora do Máxima, banco que deu origem ao Master, hoje investigados pelas fraudes no Digimais. Juntos, levaram mais de 30 fundos da gestora liquidada pelo BC em meio a uma crise provocada por operações da Polícia Federal que a investigam no caso Master e por lavagem de dinheiro bilionária para sonegadores do setor de combustíveis.

Na gestão de fundos, está a Asarock Asset Management, que pertenceu a um ex-cliente da Reag acusado pela União de sonegação com uso de fundos da gestora. Esse cotista de fundos é Lélio Vieira Carneiro, que foi dono da empresa e a repassou a ex-executivos da Reag. Fundos ligados a ele continuam sob gestão da Asarock. Na administração dos fundos da Asarock, está o grupo ID, cuja primeira gestora foi fundada pelo lobista Francisco Maximiano, o Max, alvo de diversas operações da PF, e integrado por ex-agentes do Máxima.

A ID CTVM é conhecida por administrar fundos de investimentos do banco Digimais, do bispo Edir Macedo. Como mostrou o Estadão, esses fundos foram usados para maquiar prejuízos do banco. Auditorias apontaram ausência de dados sobre R$ 3 bilhões investidos. Os donos da ID, Rodrigo Balassiano (Bala) e Roberto Giancoli Filho (Beto), foram alvo de busca e apreensão na última terça-feira, 23.

Lelio, ID e Asarock em fundos bloqueados

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Há dois fundos mapeados pela União como ligados a Lelio Carneiro geridos pela Asarock e administrados pela ID. São eles: o Fera 12 e o Rodoma 16. Juntos, eles têm patrimônio de R$ 988 milhões. Eles fazem parte de uma teia de mais de uma dezena de empresas e fundos ligados a Lelio, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O órgão obteve o bloqueio dessa estrutura complexa de pessoas jurídicas e de Lelio no valor de R$ 250 milhões na Justiça Federal. Há, ainda, mais de R$ 1 bilhão em fundos atribuídos a Lelio em administradoras e gestoras ID. “A estruturação das empresas e fundos, levada a efeito pelos administradores do grupo empresarial, mediante utilização de interpostas sociedades para realizar a movimentação financeira do grupo adquirido, configura, prima facie, ato simulado e fraudulento, com intenção de burlar a legislação tributária, com evidente prejuízo ao fisco”, afirmou o juiz federal Fabiano Bley Franco, ao decidir impor o bloqueio multimilionário a Lelio.


Fonte: Estadão

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