Mercosul e Japão anunciam início de negociações de acordo comercial

João Caminoto

Évian-les-Bains (França)

O Mercosul e o Japão anunciaram nesta terça-feira (16) o lançamento formal das negociações de um acordo de parceria econômica. O anúncio foi feito em declaração conjunta divulgada pelo Itamaraty após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, às margens da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.

Segundo a nota oficial, o lançamento formal das negociações ocorrerá na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, prevista para o final de junho em Assunção, no Paraguai.

A declaração conjunta registra que as discussões preparatórias, realizadas sob o Marco de Parceria Estratégica lançado em dezembro de 2025, cobriram temas como comércio, investimento e o contexto internacional atual. Os dois lados “trocaram informações relativas a áreas de interesse e sensibilidades mútuas”, segundo o documento, e expressaram “satisfação com o progresso alcançado”.

Mais cedo, antes da divulgação da nota, Lula havia sinalizado o movimento com cautela. “Eu espero que na próxima reunião do Mercosul possamos ter boas notícias”, disse o presidente durante o encontro com Takaichi. A nota oficial confirmou o que ele antecipou.

A aproximação reflete um movimento estratégico de Tóquio. Em maio, o governo japonês anunciou a intenção de iniciar negociações com o Mercosul ainda neste verão, motivado pela busca de alternativas às restrições comerciais impostas por Trump e às limitações chinesas sobre exportações de terras raras. O Mercosul é um dos poucos grandes mercados globais com os quais o Japão ainda não tem um acordo comercial. A reunião entre Lula e Takaichi —primeira entre os dois líderes desde a posse da premiê, em outubro de 2025, quando se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo na história do Japão— também deve ter abordado a venda de petróleo brasileiro ao país asiático, tema que já havia sido tratado em maio entre o chanceler Mauro Vieira, ao menos um executivo da Petrobras e o ministro da Economia, Comércio e Indústria de Tóquio, Ryosei Akazawa.


Fonte: Folha de São Paulo

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