EUA propõem nova tarifa de 12,5% ao Brasil em investigação sobre trabalho forçado

SÃO PAULO, BRUXELAS* E BRASÍLIA – O governo dos Estados Unidos propôs nesta terça-feira, dia 2, uma nova tarifa ao Brasil de 12,5% na investigação comercial aberta sobre o trabalho escravo. A medida também atinge a União Europeia e outros 58 países por causa de suposta “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afirmou que a prática “onera ou restringe” o comércio americano. Para parte dos países, a tarifa foi fixada em 10% (veja lista abaixo).

O anúncio já era esperado por empresários brasileiros, como mostrou o Estadão. Caso seja aplicada, a cobrança, de 12,5% no caso do Brasil, se somaria aos 25% anunciados um dia antes propostos após a conclusão da investigação sobre “práticas incoerentes” do País com os EUA.

De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado acarretam num cenário no qual o comércio americano compete em desvantagem a nível global.

A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em enfrentar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável”, disse o embaixador Greer. “Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais. Não toleraremos mais essa disparidade.”

Uma audiência pública para discutir a proposta de tarifa adicional será realizada no dia 7 de julho, em Washington, um dia após a audiência sobre a investigação específica do País. As duas ocorrem com base na Seção 301 da Lei de Comércio Americana.

Apenas Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, El Salvador, Equador, Guatemala, Indonésia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido, Taiwan e União Europeia seriam submetidos à tarifa adicional de 10%; às 46 demais economias, a taxa de 12,5%.

Para a indústria têxtil, no entanto, haverá um mecanismo especial a fim de reduzir a tarifa sobre certo volume de importações de vestuário dos EUA, cita o relatório sem especificar a quantidade. O total será calculado com base nos volumes de importação e exportação entre os EUA e certos países.

A diferença do percentual da taxação, segundo o USTR, se dá devido à tentativa destas 14 economias de impedir a importação de produtos provenientes do trabalho forçado. Para Greer, as demais falharam na proibição destes bens.

Segundo o representante comercial, Canadá, União Europeia, México e Paquistão impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado. Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, Guatemala, Indonésia, Malásia e Taiwan assumiram compromissos em seus respectivos Acordos de Comércio Recíproco relativos a proibições à importação de produtos provenientes de trabalho forçado. Equador e Indonésia adotaram as duas providências. O Reino Unido impôs um regime parcial com o efeito de impedir a importação de certos produtos provenientes de trabalho forçado.

Todas as demais economias, inclusive o Brasil, “não conseguiram impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado”, destacou o USTR.

O Itamaraty, que conduziu as tratativas com o USTR e se manifestou durante a investigação, ainda não se pronunciou. O ministro Mauro Vieira havia defendido que o governo americanose abstivesse de aplicar uma punição. O País enfretou a investigação da Seção 301 com uma denúncia enviada aos EUA de déficit de fiscais do trabalho, como mostrou o Estadão.

Confira a lista das 14 economias afetadas pela tarifa de 10%:

  1. Argentina
  2. Bangladesh
  3. Camboja
  4. Canadá
  5. El Salvador
  6. Equador
  7. Guatemala
  8. Indonésia
  9. Malásia
  10. México
  11. Paquistão
  12. Reino Unido
  13. Taiwan
  14. União Europeia (27 países)

Confira a lista das 46 economias afetadas pela tarifa de 12,5%:

  1. África do Sul
  2. Argélia
  3. Angola
  4. Arábia Saudita
  5. Austrália
  6. Bahamas
  7. Bahrein
  8. Brasil
  9. Catar
  10. Cazaquistão
  11. Chile
  12. China
  13. Colômbia
  14. Coreia do Sul
  15. Costa Rica
  16. Egito
  17. Emirados Árabes Unidos
  18. Filipinas
  19. Guiana
  20. Honduras
  21. Hong Kong
  22. Índia
  23. Iraque
  24. Israel
  25. Japão
  26. Jordânia
  27. Kuwait
  28. Líbia
  29. Marrocos
  30. Nicarágua
  31. Nigéria
  32. Noruega
  33. Nova Zelândia
  34. Omã
  35. Peru
  36. República Dominicana
  37. Rússia
  38. Singapura
  39. Sri Lanka
  40. Suíça
  41. Tailândia
  42. Trinidad e Tobago
  43. Turquia
  44. Uruguai
  45. Venezuela
  46. Vietnã

Fonte: Estadão

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