Aprovação do fim da 6×1 na Câmara joga pressão sobre Senado e bolsonaristas

Hugo Motta rebate críticas a perda de produtividade com fim da escala 6×1 e espera agilidade do Senado para aprovação da PEC.

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Marcos de Oliveira

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), espera que a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas entre em vigor no próximo semestre.

“Eu espero e confio, acredito que o Senado dará agilidade nessa tramitação para que, quem sabe aí já no segundo semestre, esses trabalhadores e trabalhadoras do Brasil já possam ter a implementação dessa nova relação”, completou, em entrevista à TV Câmara.

Com aprovação da população superior a 70%, segundo pesquisas, ficará difícil para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atender ao desejo de senadores bolsonaristas do PL de retardar a aprovação da PEC ou tentar alterá-la para uma redução da jornada com diminuição proporcional do salário, tática já apelidada de “me engana que eu gosto”.

A divulgação aconteceu dois dias depois do pré-candidato Flávio Bolsonaro dizer que pediu a Donald Trump esse enquadramento.

De acordo com análise de Vivian Oswald no JOTA PRO Poder, a iniciativa pode acabar sendo negativa para Flávio porque gera o risco de sanções financeiras capazes de afetar empresas e bancos brasileiros.

A denominação dos grupos criminosos como organizações terroristas gera preocupação porque, tradicionalmente, os EUA usam o combate ao terrorismo como justificava para interferência em outros países.

Flávio Bolsonaro classificou a medida de forma positiva, afirmando nas redes sociais que hoje foi um “grande dia”.

No Senado, alguns senadores já manifestaram suas posições. Em discurso no Plenário na quarta-feira, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) criticou o fim da escala 6×1: “Não houve aumento de produtividade e investimento em máquinas que justificassem isso. As consequências são terríveis”, vaticinou.

Durante a entrevista à TV Câmara, Hugo Motta rebateu as críticas de que a redução de horas trabalhadas possa prejudicar a produtividade da economia brasileira. “Se nós temos uma das maiores cargas horárias de trabalho do mundo, e a nossa produtividade está baixa, está muito preciso que não é a jornada que está ditando a nossa produtividade”, argumentou.

Segundo Motta, o aumento da produtividade nacional depende de investimentos em tecnologia, desburocratização de processos e facilitação do empreendedorismo. O deputado acrescentou que profissionais mais descansados e com melhor saúde mental tendem a produzir mais.

O senador Cleitinho (Republicanos-DF) apoiou os dois dias de folga previstos na PEC e pediu que a matéria seja votada o quanto antes. Para ele, a pauta não é de esquerda ou de direita. “Essa pauta da questão da escala não é uma pauta ideológica, gente. Vai lá na rua, vai ao shopping, vai ao supermercado e pergunta ao trabalhador se ele é de esquerda ou de direita. Ele está se lixando para isso! Ele quer ter um pouco de dignidade, e eu tenho propriedade para falar disso, porque a vida inteira eu trabalhei nessa maldita escala”, afirmou Cleitinho.


Fonte: Monitor Mercantil

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