Mercado de carbono voluntário beneficia clima e empresa

A emergência climática exige ações imediatas e coordenadas. Embora a prioridade inquestionável seja a redução direta das emissões de gases de efeito estufa — por meio da transição energética, eficiência dos processos e mudanças nos padrões de consumo —, a realidade é que nem todos os setores conseguem zerar suas emissões no curto prazo. É nesse contexto que os créditos de carbono assumem um papel crucial.

O mercado voluntário de alta integridade pode eliminar 2,6 bilhões de toneladas de emissões até 2030, quase 12% do necessário para manter a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Em termos financeiros, o setor deve crescer de US$ 1,7 bilhão em 2024 para impressionantes US$ 1,1 trilhão em 2050.

Segundo a McKinsey, o Brasil concentra 15% da capacidade global de captura de carbono por meios naturais. Isso pode se traduzir em até US$ 100 bilhões em receitas até 2030, caso alcance preços internacionais de referência, que podem chegar a US$ 100 por tonelada de CO₂.

Nos últimos anos, no entanto, o segmento enfrentou uma crise de reputação significativa. Denúncias de greenwashing e de créditos sem impacto real geraram insegurança e afastaram compradores.

Outro entrave é a percepção de que o dinheiro proveniente da venda de créditos de carbono não chega às comunidades que estão na linha de frente da conservação ambiental.

A resposta reside na alta integridade dos créditos e em processos robustos de due diligence. Projetos devem ser avaliados não apenas pelo potencial de captura ou redução de carbono, mas também por seus efeitos socioambientais, culturais e de governança.

Metodologias próprias e independentes, adaptadas às realidades locais e alinhadas a referências internacionais, como os Princípios de Oxford e o Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM), como a iniciativa Compromisso com o Clima no Brasil, são cruciais.

Com isso, o resultado vai além: segurança, transparência e, mais importante, impacto real e verificável, como evidenciado pela geração de milhões de toneladas de CO₂ equivalente em créditos.

Para as empresas, investir em créditos de alta integridade transcende a estratégia climática; é uma forma robusta de proteger a reputação e responder às crescentes demandas de consumidores e investidores.

É a oportunidade de alinhar propósito com resultados tangíveis, criando um ciclo virtuoso entre sustentabilidade, credibilidade e valor de marca. Conduzido com rigor e transparência, o mercado voluntário de carbono se revela um aliado indispensável na luta contra a crise climática.


Fonte: Estadão

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