Governo Trump diz que impacto de guerra comercial será ‘devastador’ para o Canadá

O governo de Donald Trump advertiu neste domingo, 23, que o Canadá seria “insensato” se pensasse que pode ganhar uma guerra comercial contra os Estados Unidos, e previu um impacto “devastador” para seu vizinho do norte. As negociações entre Washington e Ottawa fracassaram na última hora de sexta-feira, 21, o que provocou novas tarifas americanas de 50% sobre produtos canadenses avaliados em cerca de US$ 20 bilhões, que representam 5,5% das exportações totais do Canadá para seu vizinho.

Em represália, Ottawa anunciou que igualaria essas tarifas com novas taxas direcionadas principalmente às indústrias de aço e laticínios americanas, que entrarão em vigor em 8 de setembro. O secretário de Transporte dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que o Canadá sairia perdendo se decidisse por uma guerra comercial.

Somos grandes parceiros comerciais, certo? Mas o Canadá se beneficia muito mais do comércio com os Estados Unidos do que os Estados Unidos se beneficiam do comércio com o Canadá”, declarou no programa Fox News Sunday. “Pensar que vão entrar em guerra com Donald Trump e que realmente vão ganhar essa guerra com os Estados Unidos me parece insensato da parte deles.”

Duffy previu que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, retornará à mesa de negociações “muito, muito em breve, porque será devastador para seu país”. Carney se mostrou provocador no sábado, 22, ao anunciar tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, após abandonar o que considerou um “mau acordo” comercial num momento em que se aprofundava a brecha entre esses aliados históricos.

“Alguém está em guerra quando é atacado. Fomos atacados”, disse. O Brasil também foi alvo de tarifas impostas pela gestão Trump.

‘Um valentão em Washington’

Trump respondeu no início do domingo em sua rede social Truth Social. “O Canadá quer os benefícios de ser um estado [da União], sem sê-lo!!!”, escreveu. “Também têm cobrado enormes tarifas aos nossos magníficos agricultores durante muitos anos. Acabou!!!”, acrescentou.

A hostilidade evidenciou a crescente brecha entre esses estreitos aliados desde que Trump iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025, incluindo suas reiteradas ameaças de transformar o Canadá no 51º estado americano.

Carney afirmou que as relações bilaterais mudaram para sempre e que o Canadá deve reduzir sua dependência dos Estados Unidos. Apesar das repercussões econômicas, ele conseguiu angariar apoio político interno graças à sua disposição de enfrentar Washington desde que assumiu o cargo, dois meses depois de Trump retornar à presidência.

“Temos um valentão em Washington”, declarou no sábado à AFP Stuart Edwards, um professor canadense aposentado de Fort Erie (Ontário). “Não vamos tolerar isso; o Canadá não o fará. Vamos contra-atacar”, acrescentou. Desde que assumiu o poder, em março de 2025, Carney tem tentado reduzir a dependência de seu país em relação ao seu grande vizinho buscando novos parceiros comerciais na Ásia ou Europa. Os Estados Unidos representam aproximadamente 70% das exportações canadenses.


Fonte: Estadão

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