Equipes de Armínio, Malan e Durigan já conversaram; ministro da Fazenda vem ouvindo divergentes
BRASÍLIA – As equipes dos economistas Armínio Fraga e Pedro Malan já conversaram com a do ministro da Fazenda, Dario Durigan, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Um encontro entre eles deve ocorrer no futuro, mas ainda não há data fechada nem local definidos, podendo ser em Brasília, em São Paulo ou no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada inicialmente pelo Valor e confirmada pelo Estadão/Broadcast.
Malan e Armínio, dois dos mais respeitados economistas do País, comandaram o Banco Central. A gestão de Armínio implantou o sistema de metas de inflação, até hoje o norte para a coordenação da política de juros pela autoridade monetária. Malan presidiu a instituição no período final da implantação do Plano Real, quando o País deu adeus ao longo período de hiperinflação. Ele ocupou também a chefia do Ministério da Fazenda ao longo dos dois mandatos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
De acordo com pessoas próximas a Durigan, o ministro gosta de ouvir opiniões e ideias não apenas de economistas renomados, mas também de quem tenha críticas ao atual governo. Uma delas explicou que o ministro considera importante escutar os pontos de vista contrários até para que possa se preparar e estudar mais profundamente alguns temas específicos.
O trabalho do ministro da Fazenda é ouvir’
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Além da previsão dessas reuniões, na segunda-feira, 17, a agenda de Durigan contava com encontros com dois economistas tidos como mais ligados à ala conservadora em São Paulo. O ministro esteve com José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), professor-pesquisador associado na Universidade de Lisboa e especialista em finanças públicas e política fiscal. Ele é conhecido no meio por ser um dos formuladores da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
No mesmo dia, o ministro se encontrou com Samuel Pessôa, economista do Banco BTG Pactual e coautor do relatório Desequilíbrio fiscal: o impacto da indexação de gastos, ao lado de Fabio Serrano. O texto foi discutido pela área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), como registrou o Estadão/Broadcast, e traz a avaliação de que o desequilíbrio fiscal brasileiro tem raízes no forte crescimento das despesas obrigatórias.
Ainda na segunda-feira, Durigan se encontraria com o ex-secretário do Ministério do Planejamento e Orçamento Sérgio Firpo, que deixou o governo em maio do ano passado. A reunião não ocorreu porque o ministro teria sido chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de volta a Brasília.
Mais cedo nesta quinta-feira, 20, em entrevista à rádio CBN, Durigan confirmou que gosta de conversar com economistas de todas as correntes para entender diferentes pontos de vista. Segundo ele, o trabalho do ministro da Fazenda é ouvir. “Tenho recebido sugestões para encontrar economistas de diferentes campos, mais heterodoxos, mais ortodoxos. E sempre aproveito muito essas conversas porque, veja, não é que eles vão querer mostrar como se faz a receita toda. Mas é importante ouvir aspectos, preocupações específicas”, declarou.
Fonte: Estadão
