Governo Lula se preparou para cenário hostil após EUA anunciar novo tarifaço
Brasília
Desde o anúncio da nova etapa do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se preparou para um cenário pouco amigável por parte do governo americano e definiu pontos considerados inegociáveis para a economia brasileira.
O tom adotado pelo presidente e por sua equipe ao longo desse período insistiu no argumento de que a investigação americana é injusta nas críticas às práticas comerciais brasileiras. Com a nova investida do governo de Donald Trump, o Brasil passou a sinalizar que não estaria aberto a negociar pontos como imposto sobre o etanol e medidas relativas ao Pix.
Na terça-feira (14), o governo brasileiro comunicou ter realizado uma reunião em nível ministerial com os Estados Unidos, que vinha sendo pleiteada pelo Brasil para tratar do tema antes da nova aplicação de tarifas. Sem oferecer informações sobre os planos americanos, a gestão disse em nota ter reforçado a argumentação de que a retaliação é injusta e injustificável.
A reunião foi feita entre Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), MRE (Ministério das Relações Exteriores) e Assessoria Especial do Presidente da República com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Como mostrou a Folha, as expectativas de integrantes e auxiliares do governo de que fosse alcançado um acordo antes da aplicação das novas tarifas eram quase nenhuma.
Técnicos e ministros brasileiros se preparavam para pedir isenções a determinados itens, mas relatavam baixa receptividade do governo americano. Também já estava sendo avaliada a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade, que prevê a tomada de medidas contra o país diante de determinadas sanções.
Essa nova fase de aplicação de tarifas contra o Brasil foi anunciada após a conclusão da investigação da seção 301, comandada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que apurava práticas comerciais injustas no Brasil e em outros países.
A partir daí, o governo americano realizou uma audiência com representantes do setor privado do Brasil e dos Estados Unidos, da qual o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou. O objetivo era consultar o setor antes da aplicação e de publicar os resultados no relatório divulgado nesta quarta-feira (15).
A ida de Flávio reacendeu o caráter político do tarifaço americano, uma vez que o senador pediu aos EUA que a discussão fosse postergada para após as eleições brasileiras. Flávio alegou querer evitar que Lula fizesse uso político da taxação em benefício próprio durante a corrida eleitoral e os rivais passaram a trocar acusações.
Fonte: Folha de São Paulo
