Tarifas dos EUA podem atingir 93% da pauta exportadora de São Paulo, segundo SP Negócios
São Paulo
Um estudo produzido pela São Paulo Negócios, agência de promoção de investimentos da prefeitura da capital paulista, com dados do ComexStat e da Apex Brasil, mapeou que uma possível tarifa de 25% atingiria cerca de 570 grupos de produtos exportados por São Paulo aos EUA —93% da pauta exportadora municipal para o país, incluindo os dez principais itens.
A tarifa de 12,5% afetaria 422 grupos, ou 69% da pauta, com incidência sobre seis dos dez principais produtos, como etanol, obras de arte, gorduras animais e vegetais e açúcar. No total, 421 grupos de produtos seriam alcançados simultaneamente pelas duas tarifas, o equivalente a 68,7% do valor exportado pelo município aos EUA.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial da cidade de São Paulo, atrás da China. Em 2025, a capital paulista exportou 613 tipos de produtos ao país, somando mais de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) —13% do total exportado pelo município. Apenas os dez principais produtos respondem por US$ 467 milhões (R$ 2,4 bilhões), ou 67% desse valor, com destaque para álcool etílico (US$ 116,8 milhões, R$ 602 milhões), obras de arte (US$ 51,7 milhões, R$ 266,7 milhões) e veículos aéreos como helicópteros e aviões (US$ 51,6 milhões, R$ 266,2 milhões).
O documento parte de duas investigações da USTR (United States Trade Representative). A primeira aberta em 2025, resultou em notificação ao Brasil sobre práticas relacionadas a comércio digital, pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Como conclusão, a investigação propôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com prazo para manifestação.
A segunda investigação, iniciada em 12 de março de 2026 e relacionada a trabalho forçado, pode resultar em taxação adicional de 12,5% sobre uma lista específica de itens.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumentou em comentário por escrito que o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) ignorou evidências e chegou a conclusões arbitrárias ao propor uma tarifa de 12,5% contra o Brasil por supostas falhas no combate ao trabalho forçado.
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (7) em audiência nos Estados Unidos que a adoção de uma tarifa sobre os produtos brasileiros beneficiaria o presidente Lula (PT), seu rival na disputa eleitoral deste ano, e que agora seria “o pior momento” para implantá-la. Empresários dos setores atingidos nos dois países pedem revisão das medidas.
Fonte: Folha de São Paulo
