A dois dias do prazo dado pelos EUA, Lula diz que não haverá novo tarifaço sobre produtos do Brasil
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou à imprensa presente na visita dele ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), que não haverá um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A fala do petista ocorre dois dias antes do prazo final para o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) apresentar o relatório final sobre a taxação.
“Não vai ter tarifaço, não vai ter tarifaço”, repetiu Lula ao ser questionado por um jornalista da TV Vanguarda presente em São José dos Campos (SP).
Como mostrou o Estadão/Broadcast, integrantes do governo já admitem, em reserva, que a tendência é que os Estados Unidos apliquem realmente a tarifa adicional por supostas práticas comerciais desleais. Essa também é a visão do setor produtivo, que vê a taxação como “inevitavel”. A expectativa, porém, é de que é possível colocar produtos estratégicos da lista de exceções da taxação.
Por isso, o governo brasileiro ainda tenta realizar uma última reunião com os subordinados de Trump antes da quarta-feira.
Em relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção de grande parte dos produtos agropecuários.
Da parte do governo brasileiro, quem encabeça as negociações são os ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). Já pela Casa Branca, o presidente Donald Trump convocou o Representante de Comércio, Jamieson Greer.
Na última sexta-feira, 10, o presidente Lula reuniu ministros para definir qual seria a estratégia brasileira nos últimos dias de negociação. Ficou decidido que o Brasil continuará usando os espaços diplomáticos para tentar encontrar um acordo com os americanos, mas sem incluir temas considerados caros à soberania nacional, como o Pix.
Há também uma possibilidade bastante remota, mas não descartada, de Trump adiar a aplicação das tarifas para favorecer eleitoralmente o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Flávio foi até a audiência pública do USTR na semana passada para argumentar que a aplicação da taxa agora poderia beneficiar Lula.
Fonte: Estadão
