Brasil, um gigante de minerais críticos, é desafiado a deixar de ser só exportador de material bruto
Os chamados minerais críticos — como terras raras, nióbio, lítio e cobre, entre outros — têm um papel crucial na transição energética brasileira. Na nova geopolítica mundial, marcada por rivalidades comerciais e pela necessidade urgente de descarbonização, é cada vez mais importante que o País deixe de ser apenas um exportador de minérios brutos e desenvolva também a capacidade de refino e produção de insumos de alto valor agregado — não só para garantir sua supremacia tecnológica, mas até para a própria segurança alimentar.
Essa foi a tônica da mesa “Minerais Críticos: A Nova Geopolítica da Transição Energética”, nesta quinta-feira, 25, o último dia do Energy Summit, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Participaram da mesa a sócia-líder da Deloitte para indústria de energia, recurso e indústria e para o setor de mineração e metais, Patrícia Muricy; o CEO do grupo New Wave, Gustavo Emina; e o diretor de assuntos corporativos da Vale Base Minerais, José Luiz Marques.
Durante muito tempo, com a globalização, focamos em eficiência, produtividade, colaboração”, afirmou Patrícia Muricy. “Mas, a partir de 2019, 2020, sobretudo depois da guerra da Ucrânia, a dependência ficou muito clara; descobrimos que não tínhamos fertilizante, a Europa descobriu que não tinha gás; então começamos a pensar de onde vêm as coisas, de onde vêm os insumos, e não estou falando só de bateria de carro elétrico, estou falando também de supremacia tecnológica e até mesmo de segurança alimentar.”
Atualmente, o mercado global enfrenta uma altíssima concentração geográfica em etapas importantes da cadeia de minerais críticos. A China, por exemplo, controla cerca de 85% do refino global de terras raras. Ao exportar o minério bruto, o Brasil fica sujeito à volatilidade de preços externos e ao risco de desabastecimento em momentos de tensões geopolíticas. Além disso, o Brasil é uma potência agroalimentar, mas historicamente dependente da importação de fertilizantes e agrominerais, como potássio e fosfato. Ou seja, o desabastecimento dessas cadeias pode ter impacto na mesa dos brasileiros. “Várias tecnologias estão sendo desenvolvidas e aprimoradas com foco em tornar a extração mais competitiva de minerais e para criar coprodutos com maior rentabilidade”, disse Gustavo Emina. “Ainda temos uma longa jornada pela frente, mas precisamos começar.” O processo de refino de minerais críticos é extremamente intensivo em energia. E é justamente por isso que o Brasil tem uma vantagem competitiva global incomparável: nossa matriz energética é limpa, o que permite ao País vender seus produtos industriais com o selo “baixo em pegada de carbono”, atraindo mercados que buscam sustentabilidade.
Fonte: Estadão
