Norte, Centro-Oeste ou Sudeste? Qual região vai liderar o crescimento econômico neste ano?

O Norte deve voltar a ocupar uma posição de destaque e liderar o crescimento econômico no Brasil neste e no próximo ano, mostra um estudo realizado pelo banco Santander. O Produto Interno Bruto (PIB) da região deve avançar 3% em 2026 e 2,4% em 2027.

“Os anos em que a região Norte registrou um crescimento abaixo da média nacional foram mais exceções do que regra, até pelo tamanho de cada uma das regiões do Brasil”, afirma Gabriel Couto, economista do banco Santander e responsável pelo estudo. “É natural que as regiões com economia menor apresentem taxas maiores de crescimento ao longo do tempo.”

São vários os fatores que devem ajudar o Norte a retomar o posto de região que mais cresce no Brasil e a sustentar um crescimento acima da média do País em 2026 e 2027. A economia dos Estados do Norte deve ser favorecida pela indústria extrativa, pelo bom momento do agronegócio e pela força do mercado de trabalho

Se confirmado, será um número maior do que o projetado para a economia brasileira para esse biênio, cuja previsão do banco é de avanço do PIB de 1,8% em 2026 e de 1% em 2027.

A última vez que o Norte liderou o crescimento brasileiro foi em 2024, de acordo com a estimativa do Santander — os dados oficiais calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o desempenho dos Estados vão até 2023.

No ano passado, impulsionado pela supersafra, o Centro-Oeste foi a região que mais cresceu no País. O PIB de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e do Distrito Federal, juntos, deve ter avançado 4,8%

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“Tem a questão da indústria extrativa do Pará. A agropecuária é um outro exemplo. Há a expansão da fronteira agrícola, um aumento da área plantada que também acaba contribuindo para esse crescimento acima da média da região”, diz Couto.

Na mais recente estimativa do IBGE para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, a projeção é de que o Norte deve responder por 6,1% de uma nova safra recorde prevista para o País, que somará, ao todo, 350,4 milhões de toneladas. A maior parte da produção da região está no Tocantins. Sozinho, o Estado deve responder por 2,4% da produção. No setor extrativista, os números do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibam) apontam uma força do Pará em relação aos investimentos previstos nos próximos anos. De acordo com a entidade, o Estado só fica atrás de Minas Gerais como principal destino de projetos.

Para o período de 2026 a 2030, a estimativa do Ibram é de que o Pará receba quase US$ 14,661 bilhões em investimentos — o que é equivalente a 19,1% do esperado para o País. Na liderança, nesse mesmo período, Minas Gerais deve ser o destino de US$ 19,675 bilhões.

Vemos esse crescimento da região Norte no setor de mineração. Isso pode ser, sim, um impulsionador do crescimento previsto para a região”, diz Aline Nunes, gerente de Assuntos Minerários do Ibram. “Para toda a região, devemos estar falando em algo como 30% dos investimentos previstos para o País.”

Qual região ficará na lanterna?

Conforme a projeção do Santander, a região Sul será a que em 2026 vai apresentar o menor crescimento econômico entre todas. Os cálculos apontam que o crescimento do PIB será de 1,4% em 2026 e 1% em 2027.

No ano passado, imaginamos que o Sul tenha sido muito beneficiado pela safra recorde. Não vimos grandes problemas de produção, mas tem havido problemas climáticos com impactos na produção por lá”, afirma Gabriel. “É um fator que vemos, inclusive, como um risco para os próximos anos. Por mais que, provavelmente, 2025 tenha sido muito bom, em 2026 talvez haja alguma devolução e, em 2027, há o risco do El Niño.”

As previsões do banco também indicam que, além da região Sul, o crescimento econômico do Sudeste (1,7%) e do Nordeste (1,6%) deve ficar abaixo da média nacional.

“O Sudeste tem a característica de ter um peso setorial muito semelhante ao observado no agregado do País. E vemos um comportamento parecido para os próximos anos, que é de alguma desaceleração mais cíclica da economia, com as condições financeiras ainda um pouco mais apertadas”, afirma Couto.

Leia também Apesar de perder a liderança para o Norte, o Centro-Oeste vai continuar crescendo acima da média do País. O PIB da região deve avançar 2,3% em 2026. “No Centro-Oeste, a agropecuária tem sido importante nos últimos anos. E a tendência é a de que o setor mantenha níveis de crescimento razoáveis, até porque tem encontrado maneiras de se proteger de alguns riscos climáticos”, diz o economista do Santander.


Fonte: Estadão

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