CSN se movimenta para incluir taxação da folha metálica em negociações entre Brasil-EUA
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se movimenta para colocar a taxação do governo do Estados Unidos sobre folhas metálicas importadas na pauta das discussões entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do Brasil com os representantes do governo do presidente Donald Trump.
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Nas contas da CSN, se a empresa voltasse a exportar aços galvanizados, pré-pintados e folhas metálicas aos EUA, o impacto positivo anual em sua geração de caixa seria de cerca de R$ 400 milhões. Para a companhia, a alta da inflação americana, provocada, inclusive, por tarifas comerciais, dá ao Brasil um bom argumento na defesa da redução de alíquotas para produtos brasileiros.
Desde que a tarifa de 50% passou a ser aplicada a produtos de aço importados pelos EUA, as exportações da CSN para os EUA deixaram de ser viáveis. O diretor executivo responsável pela área comercial e de logística de siderurgia da companhia, Luis Fernando Martinez, conta que a empresa chegou a exportar, entre materiais revestidos, zincados e folhas metálicas, cerca de 300 mil toneladas por ano aos EUA. Destas 40 mil a 50 mil toneladas por ano eram de folhas metálicas, material usado na confecção de latas de alimentos.
No entanto, ele afirma que a empresa tem capacidade para exportar, no curto prazo, 200 mil toneladas. “Temos capacidade de voltar a exportar hoje 200 mil toneladas. Nossa capacidade produtiva é de, praticamente, 800 mil toneladas por ano e vendemos cerca de 400 mil toneladas no mercado interno”, afirmou Martinez à Broadcast.
Para ele, o País tem hoje uma oportunidade de colocar esse produto nas discussões junto ao governo americano sobre a seção 232, pois a economia dos EUA tem sentido o efeito dessas tarifas no aumento de preços de produtos nos supermercados, tema sensível para o presidente Trump.
Em reportagem recente do New York Times, por exemplo, foi mostrado que as latas – feitas com folha metálica – representam cerca de um terço do preço de frutas ou vegetais enlatados. Em março, esses produtos custavam 5,7% a mais do que um ano antes. Para efeito de comparação, o aumento geral de preços de alimentos consumidos em casa nos EUA no período foi de 2%, segundo dados do governo. O ponto é que as importações de folhas metálicas continuaram acontecendo mesmo com a tarifa de 50%, pois a indústria americana ainda não tem condições de atender a toda a demanda.
O diretor geral da CSN LLC, Jerry Richardson, relatou que demanda por esse produto é de 2 milhões de toneladas por ano e que a produção nacional é de apenas 600 mil toneladas. “Falta produto no mercado americano”, disse à Broadcast em entrevista, no escritório em Nova York .
Para os antigos clientes da CSN nos EUA, Richardson diz que o momento é desafiador: eles precisam do produto, não conseguem comprar tudo no mercado doméstico e enfrentam o encarecimento do importado. Com a tarifa “proibitiva” de 50%, Martinez conta que a CSN acabou zerando as exportações. Ele diz que pela ausência de negociações bilaterais do Brasil com os EUA nesse ponto e também em função de custos impostos à indústria nacional, a margem do produto brasileiro não sobreviveu à taxação, nem à competição com alguns dos atuais maiores vendedores do produto aos EUA: Alemanha, Países Baixos e China.
Rentabilidade
Ele calcula que, se a companhia voltasse a exportar, por ano, cerca de 200 mil toneladas de aços galvanizados e pré-pintados, mais 200 mil toneladas de folha metálica – quantidade bem superior à média pré-tarifa, de 50 mil toneladas – o impacto no Ebitda da companhia seria de R$ 400 milhões.
Na última interação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, as tarifas foram assunto central. Na reunião do dia 7 de maio, eles acertaram um prazo de 30 dias para negociar os termos de um acordo que agrade as duas economias.
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Nos EUA, a CSN também se movimenta para destravar a discussão, tendo, inclusive, buscado empresas especializadas em lobby – atividade regulamentada no país – para levar o assunto às autoridades. No entanto, os próprios especialistas sinalizam que sem um movimento do governo brasileiro nesse sentido, qualquer tentativa de pautar o assunto fica mais fraca. A companhia tenta agenda com o MRE e Mdic para a primeira semana de junho. Fontes do governo brasileiro afirmaram à Broadcast que o tema tem sido tratado com diversos setores produtivos do País e que, com as negociações em curso, não é possível falar de produtos específicos. No entanto, os pleitos têm sido ouvidos e avaliados para, eventualmente, serem pautados nas mesas de negociação.Procurados, o MRE e o Mdic não comentaram até o fechamento desta reportagem.
Fonte: Estadão
