É um bom momento para ser paranoico com conteúdos de IA, alerta futurista Ian Beacraft

De acordo com o futurista Ian Beacraft, CEO da consultoria de inovação Signal and Cipher, a ascensão dos conteúdos falsos gerados com inteligência artificial (IA) vem substituindo o problema das fake news. Durante o painel no São Paulo Innovation Week na noite desta quinta-feira, 14, ele destacou que todo o cuidado é pouco ao escolher em que acreditar quando assistir a um vídeo ou ouvir um áudio que tem, supostamente, a aparência ou a voz de pessoas conhecidas.

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“Se você observar a seção de comentários de qualquer plataforma de mídia social, verá que praticamente todas as postagens são de IA, porque as pessoas não confiam mais em nada. E isso é compreensível, porque os recursos visuais da IA ​​são tão bons que você literalmente não consegue distinguir o que é real. O áudio é tão bom que você não consegue distinguir o que é real”, diz Beacraft. “A paranoia é boa agora.”

O futurista destaca que há um crescente número de comentários nas redes sociais apontando que qualquer vídeo ou imagem foi feito com IA. Diante da alta qualidade dos conteúdos gerados com a tecnologia, a desconfiança é bem-vinda e ele mesmo já foi vítima dessa “clonagem digital”.

Estando no campo da IA, já vi pessoas tentarem me clonar e se passar por mim diversas vezes em vários contextos diferentes”, afirma. Em uma conversa com o público mediada pelo diretor de marketing (CMO) do Bradesco, Renato Camargo, o futurista também refletiu sobre a visão negativa que muitas pessoas desenvolveram em relação à IA e diz que ter esse olhar não é o melhor para a sociedade.

“Sinceramente, a narrativa apocalíptica carece de imaginação, porque todos nós já vimos esse filme centenas de vezes. Já trabalhei como consultor para vários filmes de Hollywood e estou farto do roteiro dizendo ‘e então a IA mata o protagonista’. Coletivamente, o futuro se revela por causa das decisões que tomamos em massa. E se nossa decisão for dizer que isso vai ser ruim, será”, diz Beacraft.

Em sua apresentação, o futurista destacou que as transformações tecnológicas que já ocorreram na história da humanidade aconteceram de forma parecida com a que a IA tem feito. Como ela ocorre durante nosso tempo de vida, mal percebemos os avanços que estão acontecendo e tendemos a olhar para a tecnologia como uma vilã quando ver apenas as coisas negativas que ela pode causar, como o fim de alguns empregos por causa da automação de tarefas em ritmo acima do humanamente possível.

Pessimismo

Ele cita um levantamento da Pew Research que apontou que 47% dos brasileiros estão mais preocupados do que entusiasmados com a IA, número que, diz ele, é mais alto nos Estados Unidos, chegando a 55%.

“No começo de uma revolução, vemos com muita clareza o que estamos perdendo e é muito difícil ver o que estamos ganhando com ela. A promessa do que virá ainda não se concretizou, estamos indo rumo ao desconhecido”, afirma.

Beacraft cita que o Brasil se desindustrializou ao longo dos anos, e, ao mesmo tempo, criou um ecossistema de startups que chega a ser mais veloz do que o dos EUA. “Todo progresso vem com uma perda. Tendemos a não reconhecer isso até que já tenha acontecido”, diz. Por isso, ele destaca a importância dos empreendedores que buscam liderar esse novo momento executando funções que ainda nem mesmo têm nomes, assim como aconteceu com as pessoas que criavam sites em 1991, antes de existir o e-commerce.


Fonte: Estadão

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