Pact recupera R$ 160 milhões em depósitos judiciais

Em tempos de juros nas alturas e crédito mais difícil, as empresas podem conseguir melhorar o caixa de uma forma que às vezes nem contavam, a revisão de depósitos judiciais. A Pact, empresa especializada em gestão e reestruturação de passivo judicial corporativo, já recuperou R$ 160 milhões em valores vinculados a esses depósitos.

PUBLICIDADE

Criada em 2018, a Pact começou como uma startup focada em buscar conciliações judiciais e já conseguiu grandes clientes, como iFood, Magalu, Votorantim e o escritório de advocacia Machado Meyer. Só no ano passado, conseguiu acordos em causas, civis e trabalhistas, que somaram R$ 1 bilhão.

Com a aquisição da Legal Insights, que tem um aplicativo voltado para a gestão de dados e contencioso, a Pact passou a avançar também no negócio de depósitos judiciais, que são recursos depositados por empresas para fazer garantir o cumprimento de obrigações. Hoje, a base ativa de depósitos judiciais monitorada mensalmente pela Pact soma R$ 40,5 milhões.

“Em muitos casos, há recursos já depositados ou bloqueados que permanecem sem tratativa estruturada, o que posterga sua identificação e eventual retorno ao caixa da empresa”, afirma o CEO e fundador da Pact, Lucas Pena. Com ajuda de tecnologia, sobretudo inteligência artificial, é possível monitorar esses valores mais de perto, tentando casar informações bancárias com informações judiciais públicas – e muitas vezes imprecisas.

Saúde é o setor que tem mais bloqueios de recursos

“A tesouraria da empresa sabe que existem tantos milhões de reais em contas judiciais, mas não sabe dizer de qual processo e qual parte desses recursos é devido”, ressalta o executivo. Na Hapvida, por exemplo, havia depósitos judiciais e parte dos recursos guardados não eram mais devidos, seja porque o processo não existia mais ou porque estavam depositados mais de uma vez. “É nesse contexto que você consegue revelar para a companhia o que ela tem em depósitos, o que realmente é devido e o que pode ser recuperado”, comenta o CEO da Pact. Em termos de setores, o de saúde é o que tem mais bloqueios de recursos. A estimativa é que os depósitos judiciais no Brasil somam R$ 400 bilhões, corrigidos a taxas semelhantes à da poupança. “A discussão sobre a gestão desses depósitos ganha espaço em um ambiente de juros altos, foco em geração de caixa e maior rigor sobre alocação de capital”, afirma Pena, ressaltando o potencial para liberar recursos que estavam fora do fluxo financeiro das empresas. A liberação dos recursos pode acontecer entre 30 a 90 dias. E com recursos em caixa de um dinheiro que já estava provisionado, a empresa pode aproveitar para quitar outros acordos judiciais.


Fonte: Estadão

Traduzir »