A criminalização do dissenso vai se tornando regra e não é um bom prenúncio para o ano eleitoral
O pedido feito por Gilmar Mendes para que o ex-governador Romeu Zema (Novo) fosse incluído no inquérito das fake news é o tema do comentário do colunista Fernando Schüler. Para ele, é um prenúncio ruim para o ano de disputa eleitoral.
“(O que Zema exibiu) Foi um desenho onde faz uma sátira com temas que são conhecidos no noticiário político, como as ações do resort Tayayá, o habeas corpus dado por um outro ministro, enfim. A sátira política faz parte do universo da crítica ou na democracia, ou enfim, na cena pública, desde o império, que não era propriamente uma democracia. Mas o imperador Dom Pedro II, ele tolerava, ele não processava o chargista, o jornalista, o jornal, e olha, eram muitas sátiras bastante venenosas”, diz ele.
No comentário, Schüler lembra que vários presidentes, como José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, “tiveram sempre uma posição altaneira, ou seja, respeitando a crítica, aceitando, enfim, a sátira”.
“Agora virou crime. Virou crime fazer uma sátira e é interessante que isto vem se tornando um padrão no Brasil”, enfatiza.
Fernando Schüler lembra do início do inquérito das fake news, em 2019, após uma reportagem investigativa da revista Crusoé sobre Dias Toffoli, passando pelo episódio das denúncias de Eduardo Tagliaferro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acabam levando a um processo contra ele, dos reflexos de outra denúncia que acabou gerando um depoimento do presidente da Unafisco e da busca e apreensão contra um blogueiro do Maranhão que publicou sobre carro funcional usado por Flávio Dino. “Recentemente o Flávio Bolsonaro, candidato da oposição à presidência da República, fez um tweet lá com críticas ao outro candidato, acabou ele também com um inquérito, que pode levar inclusive à inelegibilidade do principal candidato da oposição, e agora o ex-governador Romeu Zema, que faz o tal do desenhinho, divulga esse desenho, com a sátira política, e acaba no mesmo inquérito sobre fake news. Ele não tem foro por prerrogativa de função”, disse.
Fonte: Estadão
