Industriais mineiros criticam fim da escala 6×1 proposto pelo governo

Diego Felix

São Paulo

A Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) endossou o coro do empresariado contrário ao fim da escala 6×1 e disse que o novo projeto proposto pelo governo Lula ignora repercussões da medida na economia e na geração de emprego no país.

Para a organização, a negociação coletiva é o melhor caminho para encontrar soluções que equilibrem as necessidades dos trabalhadores e a saúde financeira das empresas.

Nesta terça-feira (14), o governo Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que propõe redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição de salário. A jornada de trabalho não poderá ultrapassar 8 horas por dia.

O texto também define que a redução da duração normal do trabalho semanal valerá para todos os trabalhadores com contratos em vigor, que não poderão ter redução nominal ou proporcional de seus salários ou pisos.

Um estudo elaborado pela federação aponta que o fim da escala 6×1 pode gerar um impacto em até 16% no PIB brasileiro. Ainda mais alarmante é a indicação de que reduções na carga horária sem compensação, como propõe o governo, devem gerar um corte de 18 milhões de postos de trabalho no país.

A mudança proposta é uma medida eleitoreira, pensada mais nas eleições do que nas consequências práticas para a economia e os trabalhadores. Sem alternativas viáveis, essa medida coloca em risco o sustento de milhões de brasileiros e amplia ainda mais os desafios econômicos que já enfrentamos”, disse em nota Mário Marques, presidente em exercício da Fiemg.

Para a entidade, é necessário encontrar soluções para a jornada de trabalho em uma discussão mais ampla, especialmente avaliando os impactos na dinâmica econômica do país, os empregos e a competitividade das empresas.

Na proposta enviada ao Congresso Nacional pelo governo, não foi fixada a jornada 5×2, mas ficou estabelecido que todos os trabalhadores, incluindo aqueles que têm escalas especiais, terão direito a duas folgas semanais consecutivas de 24 horas cada.

Essas folgas deverão, segundo o texto, “coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho.”

ASSOCIAÇÂO COMERCIAL DE SP

Em nota, a Associação Comercial de São Paulo disse considerar a discussão legítima e que o país precisa enfrentar o debate da jornada de trabalho com seriedade. “Em ano eleitoral, o tempo encurta e o discurso simplifica. O cálculo político ganha espaço e a qualidade da decisão perde. É assim que um tema estrutural vira resposta rápida. E resposta rápida, aqui, é erro caro.
O 6×1 não é uma conta. É rotina. Está na vida de quem trabalha, no descanso que falta, na renda que precisa fechar o mês. Está também na ponta de quem emprega, monta escala e tenta manter a operação de pé. Quando a decisão nasce mal resolvida, o impacto não fica no plenário”, reclama a entidade.


Fonte: Folha de São Paulo

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